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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

alem do espaco uma viagem no tempo

o ar condicionado do matsyagandha express, terceira classe ac, e a noite cerrada não nos deixou perceber o sul. da janela do comboio vimos as silhuetas dos primeiros coqueiros a desafiarem o por do sol, mas depois tudo se apagou numa escuridao infinita e o ac da carruagem fazia sempre o mesmo ar frio e com sabor a metal. quando chegou a estação de margão abrimos atabalhoadamente as portas do comboio entre os tropeções das malas e da excitação da chegada. eram duas e quinze da manhã. mas não foi isso que os ponteiros do relógio branco da estação quiseram marcar na nossa chegada. foi a quentura e o doce do ar. o cheiro a selva e a perspectiva de que iriamos mergulhar no verde. 
goa. outra índia. fala português nas esquinas das ruas. ouve-se uma guitarra e qualquer coisa de fado em panjim.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

a perola de agra

foi realmente uma surpresa inesquecivel. quando pensavamos, ainda a caminho de agra, que iamos ao encontro do taj, nunca imaginamos que encontrariamos um dos mais belos monumentos que alguma vez os nossos olhos puderam ver. a chegada a agra e a deslocacao ate ao hotel proporcionou algumas miragens de partes do mausoleu de marmore, mas nada nos preparou para o que encontramos quando na manha seguinte fomos certinhos a bilheteira e entramos na geografia de um dos mais visitados monumentos do mundo. tres milhoes de visitantes por ano, seis milhoes de pes no marmore sagrado desta historia de amor. nao e por acaso que deixamos para tras os sapatos, com tanta passada nao ha marmore que aguente.
o taj. pesa uma pena e e tao denso como uma lagrima. nao se acredita que exista. vamo-nos aproximando e a descrenca mantem-se. nao e verdadeiro, e materia de sonho. branco a fingir-se ser. nao e possivel. mas a pouco e pouco, com a duracao da visita, la vamos cedendo a realidade, apesar de continuar objeto imaginado. em duas palavras: e fabuloso. e como na fotografia ou no postal, parece que nunca deixa de o ser. e depois, ao regressarmos da visita vamos olhando para tras e continuamos na duvida se estamos num sonho e nao passa tudo de uma grande nuvem. e que vicio. nao se consegue deixar de olhar, deixar de olhar, deixar de olhar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

indiasana

a india nao e facil, demora tempo. demora o tempo de um asana. antes de se chegar ao asana, postura consciente, firme e confortavel, e inevitavel um longo caminho de pedras no sapato, espinhos nas meias de algodao, comichoes no nariz e pensamentos macacos que nos querem longe do tapete de pratica. a india vai sendo assim. confusa, caotica e a empurrar-nos para longe  das nossas consolacoes e aconchegos. quanto mais resistimos, mais na desordem ficamos. quanto mais insistimos em controlar os horarios e as distancias, mais naufragados nos sentimos. o relogio e mais uma qualquer coisa solida no pulso esquerdo que propriamente um marcador de tempo. um mapa e mais um desenho policromatico com uma estoria imaginada que propriamente a estrada que nos leva ao hotel. e que depois de se fazer o dificil caminho e chegarmos a postura firme e confortavel que e o indiasana e quando acreditamos que amanha e que e, que amanha e que chegamos a tempo ao outro lado do rio e fazemos as coisas com relogio a tic-tac, vemo-nos a sair de casa e a afundarmos o tornozelo numa sagrada bosta de vaca. e o relogio a ser a ultima coisa em que pensamos. e isto tem qualquer coisa de maravilhoso.